PT reage à articulação do PMDB
PUBLICAÇÕES:19.11.2010
Brasília (AE) - O PT adotou a estratégia de minar, na base, a tática do PMDB de formar um blocão com outros quatro partidos aliados para exigir espaço no primeiro escalão do governo e isolar o partido na disputa pela presidência da Câmara Após reuniões da cúpula petista que atravessaram a madrugada de ontem, o PT avaliou que o PMDB não sustentará a formalização do bloco com 202 deputados, como anunciou na terça-feira, com o PR, o PP, o PTB e o PSC.
wilson dias / abr

Michel Temer convocou os líderes do PMDB e do PT para assegurar manutenção do diálogo
Mesmo assim, setores do PT chegaram a fazer cálculos e concluíram que, se necessário, poderiam buscar outros partidos da base, PSB, PDT, PCdoB, PV, PMN e outras legendas menores, e formar outro bloco com um número maior de deputados. A reação mostra a guerra fria existente entre PT e PMDB pela hegemonia de poder na Casa e no governo da futura presidenta Dilma Rousseff.
A segurança do PT em desativar a arma peemedebista veio com as manifestações de dirigentes partidários, como do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR), e do ex-presidente do partido deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), e de integrantes da cúpula das outras legendas, discordando da criação do blocão
O líder do PP, João Pizzolatti (SC), concordou em integrar o bloco com o PMDB, com a condição de que o discurso bélico fosse amenizado, depois de constatado que, na bancada, nem todos concordam em afrontar o governo. “Não há nada contra o governo, nada contra o PT nem o compromisso para eleição da presidência da Câmara. O bloco é para garantir espaço no Legislativo”, declarou Pizzolatti. O PMDB, com o blocão, ameaçava deixar o PT fora do comando da Casa no próximo mandato.
“Quiseram (o PMDB) colocar a faca no nosso pescoço, mas eles não têm força para isso. Nós concluímos que o melhor era trabalhar dentro dos partidos e deixar o PMDB com a brocha na mão. O bloco durou apenas algumas horas. Agora, o PMDB terá de vir conversar conosco em outros termos”, disse um dirigente petista, que participou de diversas reuniões do PT e com integrantes do governo.
Na avaliação feita pela cúpula petista, o PMDB tem dificuldade objetiva para conseguir unidade e concretizar o bloco com tantos interesses diferentes de cada partido. Além disso, os petistas consideram que o PMDB ficou com o ônus político de tentar encurralar a presidenta que acabou de ser eleita, fortalecendo a imagem pública de partido fisiologista e chantagista.
Pela manhã, em resposta as cobranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), convocou os líderes do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para propor trégua. “A questão do bloco tem pouca relevância, o importante é a afirmação que não há divergência e que estão todos trabalhando juntos”, disse Temer, após o encontro.
Temer foi um dos principais alvos de críticas de petistas. Eles não engoliram o fato de Temer estar reunido com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, no momento em que PMDB fechava o blocão na Câmara e não ter lhe informado. Dutra só soube da movimentação do PMDB pela imprensa.
Em meio a declarações de apoio irrestrito ao governo, Henrique Alves reafirmou, após a reunião com Temer, que o blocão foi organizado para garantir espaço no governo e na Câmara para os partidos que ajudaram a eleger Dilma. “Haverá respeito absoluto e harmonia com os espaços”, disse.
PT não aceitará provocação, diz Lula
Brasília (AE) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vê “com tranquilidade” a formação do bloco, na Câmara, de 202 deputados, integrado pelo PMDB,PP, PR, PTB e PSC. Mas deixou claro que o bloco ainda não está consolidado e que o PT não aceitará provocações. “A política é como o leito de um rio. Se a gente não for um desmancha-ambiente, a gente deixa a água correr tranquilamente e tudo vai se colocando de acordo com o que é mais importante. Se as pessoas tentam, de forma conturbada, mexer na política, pode não ser muito bom. Eu acho que a hora é dos partidos começarem a discutir, porque tem 48% de renovação na Câmara, tem (renovação) no Senado, quem é que vai ser presidente da Câmara, quem é que vai ser do Senado”, declarou Lula. “Acho que o papel dos partidos é conversar”, afirmou.
O objetivo do PMDB em articular o bloco com partidos da base aliada era isolar o PT na Câmara e deixar Dilma refém dos interesses dessas legendas.
Lula disse que não o assusta a posição do PMDB de exigir mais cargos do que possui hoje no Ministério. “O papel dos partidos agora é de conversar, conversar e conversar. Porque tem muita coisa para ser feita e quando começar, nós temos de votar reforma política. Temos de começar a debater isso”, afirmou.
Para Lula, o importante é que o País está vivendo uma situação de “tranquilidade”. E sobre o apetite dos partidos políticos em relação aos cargos, afirmou: “a eleição da Dilma foi uma coisa importante para o Brasil. Pelo fato de ela ser mulher é uma coisa extremamente importante, é algo a mais”.
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